quinta-feira, 28 de abril de 2011

Enderby por fora

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Estou lendo Enderby Por Dentro, do Anthony Burgess (autor de Laranja Mecânica). A resenha vocês podem ver assim que eu terminar no meu outro blog, o All Star e Jeans.  

Como tinha que escrever algo hoje, resolvi fazer um texto sobre o Mr. Enderby, aqui, Sr. Enderby, o Enderby Por Fora (?) que acabou ficando como o relato de algum vizinho sobre o misterioso poeta.

Enderby Por Fora
O senhor Enderby era do tipo de gente esquisita. Cabelos ralos, cada vez mais grisalhos, olhos apertados no fundo dos óculos, lábios comprimidos e semblante sério.
Parecia sempre desligado desse mundo, preocupado com coisas que só gente como ele deve ser capaz de entender. De vez em quando deixava escapar palavras soltas, sem ligação aparente. Diziam que ele era poeta. Qual nada! Devia mesmo é ser um doido varrido, isso sim. Se fosse poeta, veja lá, não moraria naquele predinho obscuro e feio e sujo, numa cidade beira-mar sem importância, mas numa bela casa na capital.
Ou até vai ver mesmo o homem era rico e doido. Só fazia ficar trancado dentro do apartamento, fazendo o quê ninguém sabe direito. Visto em bares a altas horas da noite, ainda assim não amolava ninguém. Se tinha uma coisa que o homem era é inofensivo. Mas também não gostava que o amolassem. A senhoria do prédio, que queria que o senhor Enderby pagasse mais ou desse o fora, dizem que foi deixada plantada no meio da sala e da sujeira.
O que não faltava era lenda do senhor Enderby na vizinhança. Diziam até que ele tinha quarenta e cinco anos!  O senhor Enderby! Quarenta e cinco anos com aquele velho cachimbo entre os dedos enrugados e amarelos e já tendo manias de velho maluco. Devia ter no mínimo uns 75, isso sim.