terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia 13: Um livro de ficção;


Laranja Mecânica - Anthony Burgess

− Qual vai ser o programa, hein?

Um dos mais recentes livros que eu li e que gostei muito. Já há muito tempo o filme me chamava a atenção (assim como O Iluminado de Stephen King), a história e a polêmica, mas nada demais. Então, numa livraria eu encontro essa capa (que é muito mais legal ao vivo) em uma prateleira, o que me despertou ainda mais interesse. Sai da livraria, voltei de viagem e me arrependi de não ter comprado. Baixei o livro na internet enquanto lia o começo de Memórias Póstumas pra um trabalho. Não aguentei de ansiedade e comecei a ler o Laranja. E me desculpe, Machado, mas larguei o Memórias e me dediquei inteiramente à história de Alex (DeLarge) e seus drugues. Mesmo cheia de preconceitos por causa das críticas ao filme (e mesmo sem o estômago pra vê-lo) e toda a ultra-violência, a história me prendeu muito e eu não conseguia parar de ler. Imagens do filme no post pra não ficar muito desinteressante, para você que tem preguiça de posts/livros imensos e sem figuras.

Alex é um garoto de 15 anos (no livro -q) que se diverte à noite espancando e estuprando pessoas com seus drugues. Uma vez traído por seus amigos, Alex é preso e, para encurtar sua pena, se apresenta como voluntário de um novo tratamento que prometia torná-lo uma pessoa incapaz de fazer o mal e voltar ao convívio social.
Logo Alex descobre que o Tratamento Ludovico não é tão fácil assim, sendo obrigado a assistir a filmes violentos tendo braços e pernas presos a cadeira e os olhos constantemente abertos, para que não perdesse nenhum detalhe. Após o fim do tratamento, Alex associa a vontade de fazer maldades com as cenas dos filmes que assistiu e sente dores físicas e enjôos, tendo assim que fazer o bem para se sentir melhor. Ele não pode sequer se defender e assim, volta às ruas e depois de tentar suicídio, volta a sentir prazer em fazer maldades como antes.


"Se as líudes são boas é porque gostam, e eu nunca desmancharia os prazeres deles, e do outro lado a mesma coisa. E eu estava defendendo esse outro lado. Mais ainda, a ruindade faz parte do ser, do eu, tanto em mim quanto em vocês no odinoque, e este eu é feito por Bog, ou Deus, e é o seu grande orgulho e radoste. Mas o não−ser não pode aceitar o mal, quer dizer, os do governo, os juizes e os colégios não podem permitir o mal porque não podem permitir a individualidade. E não é a nossa História moderna, meus irmãos, a história de bravas individualidades malenques lutando contra essas máquinas enormes? Quanto a isto, meus irmãos, eu estou falando com toda a seriedade. Mas, o que faço, faço porque gosto."

"− Ah, vai ser agradável ser bom, reverendo. − Mas por dentro eu dei um esmeque realmente horrorshow, irmãos. Ele disse:
− Ser bom pode não ser agradável, 6655321. Pode ser horrível ser bom. E quando digo isto a
você, eu compreendo como soa contraditório. Eu sei que vou passar muitas noites sem dormir por causa disto. O que é que Deus quer? Deus quer a bondade ou a escolha da bondade? O homem que escolhe o mal é talvez de uma certa forma melhor do que aquele a quem a bondade é imposta.
Questões duras e profundas, 6655321."

Não copetou os eslovos que o nosso drugue usou para narrar sua historia, meu brete? Taí o glossário (pela ordem em que elas aparecem):
drugues: amigos, companheiros
líudes: pessoas
no odinoque: sozinho
Bog: Deus
radoste: alegria
malenques: pequenas
esmeque: riso
horrorshow: bom
copetou: entendeu
eslovos: palavras
brete: irmão


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